'Viveiro Cidadão' ajuda produtores a recuperar áreas degradadas em Rolim de Moura

Expectativa é recuperar mais de 100 hectares.

Por Magda Oliveira/Cacoal 17/12/2018 - 19:21 hs

O projeto "Viveiro Cidadão" é uma iniciativa da Associação Ambientalista Ecoporé em parceria com a Petrobras. A ação está sendo desenvolvida em Rolim de Moura e vem ajudando produtores rurais a reflorestar áreas degradadas, além de auxiliar na produção sustentável.

 

Para a realização do trabalho, é essencial ter habilidade e delicadeza com as futuras árvores. A produção das mudas é feita pelas mãos da gestora ambiental Elaine Kapisch. O viveiro, berçário do projeto, fica em Rolim de Moura.

 

“A gente faz as coletas, traz para o viveiro, faz o beneficiamento dessas sementes. Cada uma tem a especificação. Depois, levamos para o canteiro de semeadura e posterior a isso é feito a repicagem, onde passamos para sacolas fazendo todo um acompanhamento, como limpeza de canteiro, até que ela chegue no ponto de ser levado ao campo”, explicou Elaine.

 

"Viveiro Cidadão" está na segunda etapa. A primeira fase que aconteceu em 2013 e mais de 750 mil mudas foram produzidas. Deste número, cerca de 650 mil foram doadas a agricultores para apoiar as ações de recuperação de áreas degradadas. Mais de 200 propriedades foram atendidas.

 

A iniciativa é da Associação Ambientalista Ecoporé e tem o objetivo de recuperar Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Legais degradadas a partir de ações de reflorestamento. Um viveiro de aproximadamente 2 mil metros quadrados tem uma produção de 400 mil mudas, entre frutíferas, exóticas e nativas.

 

Todas elas serão destinadas ao "Viveiro Cidadão" que vai beneficiar mais de 300 produtores rurais de oito municípios de Rondônia. Depois de cultivadas, as mudas são levadas para as propriedades rurais, onde serão plantadas. É nessa fase que entra a mão de obra do engenheiro florestal Leonardo Amaral. O trabalho dele é dar assistência técnica aos produtores inscritos no projeto.

 

“Já estamos na etapa de execução, na qual a propriedade que necessita já recebeu o material de isolamento para entrada de gados, equinos, doado pelo projeto. Nossa previsão é de quatro a cinco visitas em cada propriedade, orientando desde o diagnóstico até o monitoramento de todas essas áreas”, explicou Amaral.

 

A expectativa é recuperar mais de 100 hectares de áreas degradadas nos municípios da Zona da Mata, adequando as propriedades rurais ao Código Florestal brasileiro. O código utiliza dois tipos de áreas de preservação: a Reserva Legal e a Área de Preservação Permanente (APP).

 

De acordo com o Código Florestal, a Reserva Legal é a porcentagem de cada propriedade ou posse rural que deve ser preservada. São de 80% em áreas de Florestas da Amazônia Legal, 35% no cerrado, 20% em campos gerais e outros 20% em todos os biomas das demais regiões do país.

 

Já as áreas de APP têm a função de proteger locais frágeis como beiras de rios, topos de morros e encostas que não podem ser desmatados para não causar erosões e deslizamentos.

 

Os produtores que desmataram até 2008 terão que recuperar as áreas devastadas. A determinação é reflorestar até 15 metros as propriedades com nascentes. Já as áreas de módulo fiscal, referentes as de 60 hectares, devem reflorestar no mínimo cinco metros.

 

A propriedade de Antônio Evangelista da Silva está bem perto disso. O produtor sentiu a necessidade de reflorestar a terra para proteger a represa. Em uma área de um hectare foram plantadas 20 espécies de árvores nativas, como o jatobá, jenipapo e cerejeira. “Essa água não é permanente. Quando chega a seca ela some.

 

No período das águas tem um ‘farturão’ de água, mas na seca fica só a represa. Então esse projeto para mim foi bom para beneficiar a água e preservar a natureza”, avaliou o produtor rural. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas são os estados que apresentaram maiores índices de desmatamento entre agosto de 2017 e julho deste ano.

 

A área total desmatada alcançou quase oito mil quilômetros quadrados. No ano anterior, o desmatamento foi de 6,9 mil.

Para o engenheiro florestal Leonardo Amaral, o projeto é uma boa forma de conscientizar os produtores sobre os danos graves ao meio ambiente e a população, devido ao desmatamento irresponsável.

 

Além do reflorestamento, a ação socioambiental também faz um trabalho de estímulo aos agricultores familiares. As mudas frutíferas são destinadas para recuperar os quintais desses produtores. Uma prática sustentável.

 

“Dentro do projeto temos vários eixos, como educação ambiental, a parte de recuperação e a novidade do viveiro cidadão é a produção de quintais produtivos. Normalmente, vamos nas propriedades rurais e os produtores não tem um pé de poncã, abacaxi, banana, e acabam indo comprar na cidade. A ideia é fortalecer a agricultura familiar”, disse Leonardo.